quinta-feira, 9 de junho de 2011

BENFICA NUNO GOMES É O FIM DA LINHAGEM PORTUGUESA DA BRAÇADEIRA DE CAPITÃO


Luisão é o capitão e Maxi Pereira deverá ser o subcapitão. Nunca na história do Benfica a braçadeira foi entregue a dois estrangeiros.

Por estes dias, Nuno Gomes deve andar tão stressado como as personagens de "24", a sua série favorita. Apesar de se encontrar de férias, o capitão do Benfica soube pela imprensa que Jorge Jesus não contava com ele para a próxima época. É o fim de uma longa dinastia e tradição de capitães portugueses no Benfica. A única excepção aconteceu em 2002/03 com Drulovic - apesar de ter sido escolhido para o cargo, só foi uma vez titular durante a época.

Historicamente, a responsabilidade de capitanear a equipa encarnada ficou com os futebolistas portugueses. E mesmo Luisão, que tem envergado a braçadeira quase há três anos, não é o primeiro capitão. O cargo pertencia (sim, no passado) a Nuno Gomes. Com a saída do 21 praticamente confirmada, o central brasileiro Luisão vai ser o capitão de equipa - curiosamente o primeiro jogador estrangeiro a envergar a braçadeira foi o canarinho e também defesa central, Ricardo Gomes, a 21 de Abril de 1991, num Benfica-Tirsense. E, olhando para um plantel com poucos portugueses, o subcapitão deverá ser, segundo fonte do clube, o uruguaio Maxi Pereira.

Assim, o Benfica perde a única referência nacional no balneário. Independentemente das capacidades para a função, Luisão é um jogador que nos últimos defesos demonstrou publicamente vontade de deixar a Luz. Maxi Pereira ainda não renovou contrato (termina em 2012) e a imprensa já noticiou que o FC Porto é um dos possíveis interessados no lateral direito. E, refira-se, o agente de Maxi é o uruguaio Paco Casal, que em 2008 negociou Crístian Rodríguez com os dragões.

O Benfica perde assim um dos atletas mais respeitados no balneário, com 34 anos e 12 anos de casa, e um dos poucos que poderia transmitir a mística encarnada aos mais novos. Como se não bastasse, Luisão vai jogar a Copa América, assim como Maxi (apesar de ainda não ter saído a convocatória do Uruguai), e chegarão mais tarde aos trabalhos do plantel. Sendo assim, quem vai capitanear o Benfica durante a pré-temporada?

Saiba agora o que pensam três antigos capitães do Benfica, ouvidos pelo i, sobre a saída de Nuno Gomes.

Toni (capitão de 1975 a 1980). "Fui eu, como director desportivo, que apontei o Nuno Gomes para capitão, mas há um ciclo que agora se fecha. O Nuno sentiu que o seu espaço estava reduzido e como jogador está na fase descendente. Mas não há nenhum drama nisto. Por um lado, há um jogador que tem vontade de continuar a jogar, por outro, um clube que não contando com ele prefere oferecer-lhe um lugar fora da equipa. Eu gostava de ter passado por este dilema de poder escolher. No entanto, reconheço que quando vivemos tantos anos num clube não é fácil chegar a este ponto.

O próximo capitão? O Luisão já chegou há oito anos e é hoje um jogador de peso e carismático. O facto de ser estrangeiro não tem nada de estranho, é o espelho do futebol português."

Veloso (1991 a 1995). "A situação é mais fácil para o clube, mas é preciso ter em conta os anos que o Nuno Gomes esteve no clube. Se ainda se sente capaz de fazer mais uma ou duas épocas, o clube devia considerar a sua vontade. Não acho bem que se "despache" assim um jogador. Que reconhece o exemplo de entrega do Nuno Gomes fica desgostoso com esta situação, e eu também. Atendendo às suas qualidades, oferecer-lhe um cargo na estrutura é o mínimo que o clube pode fazer. Nem todos têm essa possibilidade, mas agora tudo depende dele.

Se Luisão pode substituir a figura de Nuno Gomes? Não é fácil, embora Luisão já tenha mostrado capacidade de liderança. De facto, cada vez há menos jogadores portugueses no seio da equipa e se o [Fábio] Coentrão for embora, ficam quase só com estrangeiros no plantel. Não digo que o Luisão não tenha capacidade, mas não é a mesma coisa."

Paulo Madeira (2001). "Fico um pouco triste. Pela carreira dele e aquilo que deu ao clube, acho que merecia acabar no Benfica. Foi ali que se notabilizou e foi também o Benfica que fez dele o jogador que é. Tendo isso em conta, era merecido e bom para os adeptos que pudesse terminar a carreira no Benfica e não num clube mais modesto. A confirmar-se que não continua, o Benfica fica muito órfão num balneário onde não abundam muitos portugueses. Além disso tem uma liderança forte, é respeitado e querido entre os jogadores.

A acontecer, é um ponto negativo e o Benfica fica a perder mais do que o Nuno Gomes. O grupo tem poucos líderes, embora o Luisão seja um excelente capitão. Se estivesse no lugar do Nuno e me fosse endereçado um convite para ficar na estrutura, ia por aí. Tem capacidade para desempenhar funções fora do relvado. Nunca chocando com o Rui Costa, que tem sempre um lugar de destaque, os dois podiam dar cartas pois são amigos e foram colegas de equipa".

Sem comentários:

Enviar um comentário