
Do puro ponto de vista do negócio, as declarações de Fábio Coentrão, mais os comunicados do Benfica e até as palavras de Cristiano Ronaldo são compreensíveis.
Coentrão quer entrar no Real Madrid e para isso tem de sair do Benfica. É óbvio, mas não quer dizer que seja simples.
O Benfica também quer vender o passe de Coentrão. Mas vender é diferente de oferecer. No fundo, deseja receber o máximo de um parceiro rico.
Cristiano Ronaldo, nesta história, funciona como factor extra de pressão, espécie de certificado de garantia perante os adeptos do Real Madrid.
Em comum, Cristiano Ronaldo e Fábio Coentrão partilham o mesmo empresário e, aposto, um dia destes também o mesmo emblema, o mesmo balneário e o mesmo treinador.
Esta forma de forçar o negócio é antiga. Quase sempre resulta. De vez em quando dá problema e um jogador acaba por ficar onde não quer. Mas normalmente funciona e Jorge Mendes, mais do que todos, sabe isso.
Do ponto de vista ético (se tal ainda existe no futebol), a entrevista de Fábio Coentrão é lamentável. Demonstra que não criou qualquer laço de respeito com o clube com o qual assinou, presume-se que livremente, um contrato. E não deixa de ser preocupante para o clube esta frieza (mas isso é outra conversa, saber o que vale ainda, hoje, para um futebolista a camisola do Benfica).
Coentrão tem do seu lado a legítima vontade de ganhar mais, jogar num grande clube, construir uma carreira. Tudo isso.
Jorge Mendes tem do seu lado a vontade de ganhar sempre mais.
O Benfica tem do seu lado um contrato assinado, com uma cláusula de rescisão, e a vontade de receber o máximo pelo passe do lateral esquerdo.
No fundo, todos têm bons argumentos, todos partem de posições legítimas para chegar a um fim. O caminho é que é lamentável.